Domingo, 05 de Setembro de 2010
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Ebenezer Fagundes, 28/05/2009

Pr. Stênio Verde

Pr. Stênio Verde

Pr. Stênio Verde

Quando e como se deu sua conversão e chamada para o ministério pastoral? Que idade tinha na época?  

Me converti em 1979 no Rio de Janeiro, minha terra natal, numa classe de EBD, o texto que Deus usou para que a luz do evangelho brilhasse em mim foi aquele do sermão do monte onde ele ensina que não se pode amar a dois senhores, então me entreguei ao único Senhor. Meu chamado para o ministério pastoral foi um processo, pensei durante muito tempo ter um chamado missionário, meu curso teológico tem ênfase em missiologia, mas quando cheguei no campo indígena Yanomami, no estado do Amazonas, uma crise ministerial se deflagrou em mim, durante um ano, não entendi nada, até que finalmente num processo de quase dois anos de convencimento da parte de Deus, eu me vi pastor. Foi uma briga enorme, confesso fui um Jonas fugindo do chamado até os trinta e dois anos de idade.   

Quando teve a convicção de sua chamada para o ministério e como foi?  

Minha convicção foi estritamente interior, pessoal, fruto de manhãs, tardes e noites de oração, jejum, quietude e silêncio interior. Uma VOZ interior gritava dentro de mim e devido a minha surdez inicialmente não soube interpretar a mensagem do chamado ao serviço pastoral, mas o aprofundamento relacional com Deus me trouxe esta convicção interior que até independeria de externalidades comprobatórias ainda que estes não faltaram e ainda não me faltam.   

Que impactos isso trouxe para sua vida e família na época?  

Os impactos sempre acontecem, minha esposa sofreu muito neste processo todo, pois justamente neste período de incertezas que antecederam meu chamado, eu não parava por muito tempo em nenhum lugar, era professor em um seminário, fui para a tribo, voltei para o seminário, passei seis meses apenas e disse pra minha esposa várias vezes: "Não é aqui!" e ela queria saber onde era, até que finalemente Deus abriu as portas, escancarou, arrebentou até as vergas da porta ministerial pra mostrar pra ela que eu estava a todo momento debaixo da direção dEle. Foi incrivel.  

Qual foi seu maior desafio ao cumprir com o chamado e como o superou?  

Meu maior desafio foi sem dúvida quando pastoreei a Primeira Igreja Batista desta cidade, meu estilo de ministério pastoral não encaixava com o estilo do saudoso pastor Gérson Rocha a quem nunca faltei com respeito, pelo contrário, nutria profunda admiração por ele apesar de não concordar com algumas atitudes e posturas  pastorais. Não deu outra, meu modus operandi e opiniões pastorais representaram o fim do meu ministério naquela igreja tão amada. Ao sair, vaguei na noite escura da angústia durante quase dois anos, com três filhos pequenos e sem rumo e sustento ministerial. Deus através dessa experiência ministerial fortaleceu ainda mais as fibras do ministério pastoral. Foi a época em que Deus realizou grandes milagres na minha vida e estes milagres fantásticos apenas me diziam: Filho eu não te desamparei, estou aqui. Graças a Deus tudo superado dois anos depois.   
 

Antes de receber o chamado e assumir definitivamente o ministério o senhor tinha planos de uma carreira profissional ou outros planos em vista?  

Antes de ir ao Seminário, sonhava com a engenharia elétrica, mas hoje sei que seria uma infelicidade. Deus tinha outros planos mais "chocantes", mais "engenhosos" pra mim.  

Como tem sido conciliar família e ministério desde que se casou? Qual tem sido o maior desafio?   

Este foi o aspecto que desde sempre tive muito cuidado, se hoje tenho um relacionamento profundo e saudavel com minha esposa e filhos, devo a este policiamento em não permitir que as prioridades sejam trocadas. O desafio agora é projetar os filhos e prepará-los bíblicamente para a vida. Enviamos nosso filho mais velho, Jônatas, para o Projeto Marcos do Palavra da Vida em Atibaia (SP) que tem por objetivo preparar o jovem pra vida, pra vocação espiritual bem como aprofundar a realação dele com Deus. Quando eles ainda eram pré-adolescentes eu e minha esposa incucamos neles a importância de participarem desse projeto. Pretendo enviar meus outros dois filhos para o mesmo projeto no futuro. Não sabemos o que Deus reserva pra eles, mas nosso desejo é que eles se preparem para cumprirem o propósitos de Deus. Se pudesse enviaria todos os jovens da minha igreja.  

Que frutos têm colhido tanto no ministério quanto na vida pessoal e familiar desde que decidiu se lançar no ministério pastoral?  

São inumeráveis e desconfio que na sua grande maioria são invisíveis e portanto incauculáveis. Mas vamos aos palpáveis:  

Estou a oito anos numa comunidade muito bacana, uma igreja família, gente que eu amo de paixão, gente que me conhece, defeitos e virtudes, me sinto amado e aceito. Deus neste tempo levantou uma liderança em nossa igreja, de gente séria que cuida da parte financeira e administrativa da igreja melhor mil vezes do que eu. Creio que por uma questão ética-pastoral eu devo pastoreiar no sentido pleno da palavra e não ficar atolado em questões financeiras e administrativas, sei que meu staff está quase pronto. Ter uma liderança de confiança é uma bênção muito grande. Nossa igreja apoia o trabalho missionária no mundo inteiro, no Brasil e no Estado da Bahia, Atualmente, temos um casal de obreiros abrindo uma congregação na Vila do Bem-quer, outro casal em Ituaçu e um outro casal em Barra da Estiva na Chapada. A Centenário sustenta uma família de missionários entre o povo Gavião-Zoró a mais de vinte anos. Nossa igreja é missionária. Estou a oito anos na igreja e pude ver o estabelecimento de seis congregações. Realizamos este ano o VI Encontro de Casais com Cristo que é um trabalho fantástico. Bem tem muita coisa pra contar mas a mais recente tem sido a ampliação do meu ministério pastoral através da Melodia, a partir desse ministério Vitória da Conquista se tornou minha paróquia. Estou felicíssimo com esta projeção, tenho ajudado muita gente o que me realiza muito como pastor.  

É muito comum e, familias com mais de um filho família  os pais ou um dos pais demonstrar uma certa predileção em relação a determinado filho ou filha. Já aconteceu isso com o senhor? Já se viu tentado a demonstrar certo apego a um de seus filhos?  

Os filhos sempre reclamam e acham que por um ato de bondade dado a um e não a outro na mesma proporção represente uma certa predileção, ainda que nosso coração se incline naturalmente mais pra aquele filho mais caloroso, mas amigo, como pais devemos agir de forma o mais equanime possível, pois o amor é visível em atos e não apenas em aquecimento emocional. Esta tentação pela predileção ainda que ocorra não deve ser cumprida dentro em mim como pai.  

Em algum momento o senhor já usou da vara para corrigir seus filhos? Como foi isso e em que momento a vara deve ser aplicada?  

Sim. Eu creio que a disciplina física é a última estância, a ternura no trato deve ser o ponto de partida sempre, a instrução, a comunicação aberta, as exigências possível para a idade da criança devem ser sempre os princípios primeiros a serem observados  

O senhor está casado há ..... anos e tem .... filhos e uma esposa presente no ministério. Como se sente e o que diz a respeito?  

Estou casado a 18 anos e tenho 3 filhos e uma esposa presentíssima no ministério, muito ligada o tempo todo, uma mulher com dom para ser esposa de pastor (se é que existe este dom), pra que vocês tenham uma idéia, minha esposa não é uma mulher sem nome na igreja, todos a chamam pelo nome, não por imposição minha ou de quem quer que seja. Todos a chamam de Mary, um amor de pessoa, uma mulher de pastor fantástica. Eu posso dizer como Romário: "Eu sou o cara." Papai do céu gosta muito de mim, sou um felizardo, tenho uma mulher bonita por fora e por dentro, ela é o amor em pessoa, de um jeito feminino de ser que me encanta e me seduz todos os dias.  

O senhor está no ministério pastoral há .... anos. O que mais lhe alegra e mais lhe entristece?  

O que mais me alegra é ver pessoas crescendo interiormente, gente amadurecendo e se parecendo cada vez mais com Cristo. Saber que você contribuiu um pouco para este crescimento dá uma satisfação enorme na alma. O que mais me entristece são as minhas limitações pessoais e pastorais. Estou a anos-luz de alguns amigos de ministério, preciso aprender muito com eles.  
 
 

O senhor acredita que todo pastor é também um pai ou exerce o papel de pai? 

Eu sou da opinião do apóstolo Paulo, o pastor está mais para mãe do que para pai no que tange ao rebanho. Ele disse que sentia dores de parto pelas suas ovelhas. O pastor é um homem que a todo momento sente as contrações da dor pastoral. A imagem maternal está mais próxima do pastoreio pela sua profundidade, pelo seu envolvimento, pela sua entrega, do que a imagem paternal. 

O que considera como sendo mais desafiador e difícil: ser pai ou ser pastor? 

Ser pai nestes dias é extremamente desafiador e deve vir primeiro como experiência bem-sucedida e servir de base para cuidar da família do Senhor. Ser bom pai é muito mais complicado, pois é isso que legitima o pastor segundo nos diz as Escrituras. 

Como pai, qual é sua maior conquista e seu maior sonho? 

A maior conquista é crescer junto com os filhos, há pais que não aproveitam as fases de vida dos filhos pra crescer como pessoa, como gente. Os filhos crescem tanto internamente e externamente mas os pais estacionam ou então retrocedem, por exemplo por não saber lidar com a pré-adolescencia. O maior sonho é que eles tomem em suas mãos o bastão da fé não por coação, mas por liberdade de espírito que é fruto de uma relação autônoma com Deus. 

Na sua opinião, qual é o maior desafio em se educar filhos no Evangelho e como isso é possível? 

O maior desafio é amar a Deus, somente educa na fé quem ama, por isso a exigência pra ensinar a criança no caminho, em casa, andando é que os pais amem ao Senhor de tal forma que façam isso com o coração eivado de amor a Deus. O texto de Deuteronômio capítulo 6 deixa isso bem claro. Se você me perguntasse qual o segundo maior desafio é manter uma autoridade espiritual sobre os filhos. Os filhos não podem ter a liberdade pra fazerem o que quiserem em casa, na escola ou mesmo na igreja, eles precisam estar debaixo da nossa autoridade quer estejamos próximos ou não. Os pais são medrosos e frouxos hoje em dia e a gente percebe isso convivendo com as famílias na igreja, nós precisamos ser uma autoridade de Deus na vida deles. 

Uma vez que o pai é uma referência de Deus para os filhos, como ele deve agir e como incutir uma boa imagem de Deus na vida deles? 

Se o pai e a mãe forem de fato uma referência de Deus para os filhos eles não terão dificuldade de incutir uma boa imagem na vida deles, pois esta influência se dará sem muito esforço. Os filhos são muito sensitivos e sabem se os pais são religiosos ou espirituais, ninguém pode se ocultar no lar, ali somos nós mesmos, não conseguimos impressionar ninguém no lar se vestirmos uma capa de religiosidade. Se forem meramente religiosos a imagem negativa é previsível. 

O que acredita como sendo o motivo do sucesso ou do fracasso de tantas famílias em educar os filhos no Evangelho? 

O nó todo está em viver o evangelho. Esta é a melhor forma de pregar o evangelho para os filhos. Veja bem, os pais fazem culto doméstico, levam pra Escola Bíblica Dominical e fazem isso ou aquilo, mas não vivem o evangelho no lar, não há justiça no lar, não há graça, somente leis, regras e mandos, todo este esforço em tentar conduzir os filhos a Cristo é vão. Depois a pessoa enche a boca e diz: Criei meus filhos na igreja e agora eles estão longe dos caminhos do Senhor. Esta afirmação pode ser apenas um desencargo de consciência. A espiritualidade no lar tem que legitimar nossa vivência não só na igreja mas em tudo o mais. Se não houver uma espiritualidade equilibrada e sadia por parte dos pais e, não terceirizar a espiritualidade para o pastor, para o professora da EBD ou para quem quer que seja o evangelho tem tudo pra ser abrigado no coração dos filhos. A espiritualidade gera filhos em constante crescimento, a religiosidade gera filhos perdidos. 

O que acredita ser o motivo do sucesso ou do fracasso no casamento? 

Amor. Amor em todas as suas formas, amor em toda a sua plenitude, amor em todas as suas palavras, em todos os gestos, em todas as atitudes, em coisas pequenas como um beijo e grandes como um sacrifício pessoal, amor-entrega total na intimidade sexual, amor que se conhece no tempo de qualidade, numa conversa madura, aberta, amor que não tem reservas que não tem segredos, que vai com o tempo e o convívio segredando tudo o que está atrás da paredes da alma, os desejos, os traumas, os fantasmas, as fraquezas. Eu diria que o amor se mede pela abertura no falar, no contar, no ser transparente, mas de uma transparência que vai crescendo com o tempo relacional. O casal que não desce os porões da alma com o convívio e não revela o porão interior, adoece e não vive em felicidade. 

O que diria a alguém que está se casando agora e se iniciando no ministério pastoral? 

Procure urgentemente  pessoas que possam ser usadas como conselheiros matrimoniais e ministeriais : agente cresce mais rápido quando somos acompanhados por algum casal com este tipo de experiência. Meu casamento teve este acompanhamento durante um bom tempo e depois quando entrei no ministério pastoral fiquei debaixo da autoridade pastoral do pastor Gérson Rocha e Infante, e isso me ajudou a ficar de cabeça baixa e isso me deu um modelo palpável e fácil de ser seguido.  

Na sua opinião o que é ser pastor-pai e como se sente sendo um? 

Ser pastor e pai é um estado de plenitude, de realização pessoal. No meu caso ser pai me ensinou a ser pastor, a ter paciência com as pessoas e não exigir demasiadamente delas, não fazer da igreja uma fábrica de convertidos, não implantar nenhum sistema gerencial-administrativo que passe por cima das pessoas, que não coisifique ninguém, não usar a igreja e nem o evangelho para projeção pessoal, nem implantar sistemas eclesiásticos que gerem um numericismo raso e fracos relacionamentos. Por ser pai estou mais interessado no crescimento interno de minhas ovelhas. No momento em que um pastor evidencia estes males é porque provavelmente ele não soube crescer com seus filhos e com a relação familiar e até mesmo conjugal. 

Uma palavra especial aos nossos leitores,internautas, mais particularmente para os pais, cristãos e não cristãos. 

Uma palavra aos leitores: leiam as matérias do site! Brincadeira.

Bem, vou puxar a sardinha pra minha brasa. Creio que o Programa Maravilhosa Graça é um espaço muito bom para se conhecer o evangelho, aprendê-lo e aplicá-lo. Um programa diário que te coloca em contacto quase que semanal com boas músicas e uma mensagem simples que pode abrir novos horizontes e trazer crescimento espiritual. Um bom espaço pra quem tem dificuldade de estar na igreja durante a semana e anseia por um alimento, um café-com-leite e pão com recheio de graça.

Percebo que a Melodia está muito interessada em qualidade espiritual, alguns programas novos, com uma bagagem doutrinária mais consistente estão surgindo, os debates tratam temas atuais, a melodia está de parabéns, está formando um timaço que vai dar o que falar, eu quero ficar pelo menos como gandula dessa rapaziada da melodia, ficar atrás das redes vibrando com os golaços que nosso time está fazendo contra o império das trevas. Um forte abraço.

Valeu Ebenézer!

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