Melodia, 14/07/2010
Pr Zwinglio Rodrigues
Dobra-me, Dobra-me, Dobra-me, Dobra-nos!
Em 1904, o País de Gales foi “varrido” por um avivamento espiritual sem precedentes na história bíblica ou mundial. Em nenhum lugar do mundo registrou-se um evento sobrenatural que tenha transformado tão rapidamente uma região como o que aconteceu com o país galês. Mudanças radicais em direção à justiça foi a tônica desse extraordinário avivamento. O seu impacto concentrado não encontra paralelo na história.
O homem a quem Deus usou para “liderar” esse avivamento foi Evan Roberts, um moço de “vinte e poucos anos”. Os historiadores dizem que a maioria dos evangelistas e obreiros do avivamento eram crianças e adolescentes. Era com estes que pregadores de renome como G. Campbell Morgan tinham que aprender sobre aquele avivamento; sobre como Deus faz irromper um avivamento.
No dia 29 de setembro de 1904, em uma convenção realizada em Blaenanerch, sob a liderança do evangelista Seth Joshua, Evan Roberts e mais alguns moços comprometidos com o Senhor participaram do culto. Ao término do mesmo, em um profundo quebrantamento, Roberts clamou: “Dobra-me, ó Senhor!” Diz a história que ele disse isso na reunião das sete da noite. Porém, não veio sobre ele o Espírito Santo como ele desejava e esperava. No caminho para a reunião em Blaenanerch, ele e seus companheiros cantavam: “Está vindo, está vindo – o poder do Espírito Santo – eu recebo – eu recebo – o poder do Espírito Santo.” Esse poder não caira sobre ele na reunião das sete. No entanto, Roberts não parava de orar e, na reunião das nove, o seu clamor insistia: “Dobra-me, ó Senhor!” Ele dizia isso no recôndito do seu coração; no balbuciar das palavras íntimas, até que Deus lhe diz para ele clamar publicamente. A este comando divino, Roberts responde dizendo, em alto e bom som: “Dobra-me, dobra-me, dobra-me, dobra-nos!” É nesse instante que o Espírito Santo desce sobre ele nos moldes da música que ele cantarolava junto com seus companheiros no caminho para Blaenanerch. Essa experiência foi tão marcante no coração de Evan Roberts que os historiadores batizaram aquela noite sobrenatural de A Grande Reunião de Blaenanerch.
Já em casa, em seu quarto, Roberts tem uma visão de todo País de Gales sendo elevado aos céus.
Em tempos de elevações de personalidades evangélicas, conhecer e refletir sobre o avivamento do País de Gales tornou-se uma necessidade urgente.
Não incorremos em nenhum anacronismo quando afirmamos ser indispensável para a saúde da Igreja de Cristo do nosso tempo o clamor de Evan Roberts. Ser dobrado pelo Senhor é uma necessidade que transcende tempos, épocas, regiões, cidades, estados, países, igrejas, denominações, sujeitos e contextos. A palavra avivamento significa “tornar mais vivo”, “fazer reviver, renovar”. Não há vida, vigor espiritual sem avivamento e reavivamentos. Não há transformações radicais em uma sociedade sem o impacto de uma Igreja dobrada que implora por avivamento, poder do Espírito Santo.
Cada vez mais desconfio do “avivamento” que alguns líderes evangélicos dizem estar presente sobre o Brasil. O clamor atual não está atrelado apenas ao interesse pela conversão das almas como acontecera em Gales. É perceptível, mais que isso, é tangível os interesses interesseiros que estão no bojo do “avivamento” propalado e buscado na Igreja Evangélica do Brasil. Hoje não se propõe apenas um clamor do tipo “dobra-me, dobra-nos” para se chegar, por exemplo, até as almas perdidas. Há uma série de outras questões envolvidas. Então, diante de tudo isso, proponho o seguinte clamor:
Dobra-me, dobra-nos, Senhor, em detrimento dos títulos e das hierarquizações;
Dobra-me, dobra-nos, Senhor, em detrimento de todo projeto megalomaníaco;
Dobra-me, dobra-nos, Senhor, em detrimento dos aviões e helicópteros;
Dobra-me, dobra-nos, Senhor, em detrimento de qualquer prosperidade financeira;
Dobra-me, dobra-nos, Senhor, em detrimento das denominações;
Dobra-me, dobra-nos, Senhor, em detrimento da fama, do estrelismo, dos holofotes e de todo personalismo;
Dobra-me, dobra-nos, Senhor, em detrimento de toda zona de conforto;
Dobra-me, dobra-nos, Senhor, em detrimento da arrogância teológica e do analfabetismo bíblico;
Dobra-me, dobra-nos, Senhor, em detrimento dos conchavos políticos, da politicagem evangélica e dos negócios politiqueiros dos líderes evangélicos;
Dobra-me, dobra-nos, Senhor, para que sejamos dobrados aos Seus pés;
Dobra-me, dobra-nos, Senhor, para que cresça o Senhor e diminuamos nós;
Dobra-me, dobra-nos, Senhor, para que o poder do Espírito Santo irrompa sobre nós;
Dobra-me, dobra-nos, Senhor, para que o genuíno avivamento nos alcance;
Dobra-me, dobra-nos, Senhor para que tenhamos a visão de cidades sendo elevadas aos céus;
Dobra-me, dobra-nos, Senhor, para que reavivamentos irrompam depois de outros reavivamentos;
Dobra-me, dobra-nos, Senhor, para que amemos ao Senhor acima de qualquer coisa;
Dobra-me, dobra-nos, Senhor, para que nos importe identificarmos-nos com as almas perdidas;
Dobra-me, dobra-nos, Senhor, para que, de uma vez por todas, a mensagem da cruz seja profundamente impressa em nosso coração;
Dobra-me, Dobra-me, Dobra-me, Dobra-nos!
Por Pr Zwinglio Rodrigues