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Quarta, 08 de Setembro de 2010
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Melodia, 10/07/2010

Pr Zwinglio Rodrigues

Geração Total Flex

Pr Zwinglio Rodrigues

A expressão “Geração Total Flex” origina-se da Tecnologia Total Flex que é uma tecnologia automotiva que permite o veículo “rodar” com álcool, gasolina ou com uma mistura de ambos em qualquer proporção. Então, ser “total flex” é ser “bi”; falar de uma “geração total flex” é falar de uma “geração bi”. No que diz respeito a este texto, “geração total flex” ou “geração bi” é a geração atual de adolescentes que aventuram-se pelos caminhos da experiência bisexual, talvez, em busca de descobertas.
Decidi escrever este artigo depois que li a reportagem Com os Hormônios a Flor da Pele na Revista Nova Escola, nº 233, 2010, pp. 93-5. A reportagem foi feita pela repórter Ana Rita Martins que, além de tratar da questão da homossexualidade na adolescência,  trata de questões relacionadas ao gênero. É uma reportagem interessante do ponto de vista pedagógico e informativo, eu reconheço. Dentre os especialistas entrevistados, destaco o psicanalista Tiago Corbisier Matheus. Ele disse algumas coisas sobre “preferência sexual” que merecem ser discutidas e refletidas.
Falar sobre “preferência sexual” é o mesmo que caminhar por uma área minada. Hoje em dia, como é sabido, qualquer discurso ou palavra escrita que contrarie, por exemplo, a orientação homossexual, são tidos como homofóbicos. O assunto se tornou tão sensível, do ponto de vista social, que até a liberdade de expressão corre sérios riscos de sobrevivência. Porém, acredito que minha exposição a seguir está calçada no respeito à alteridade e no inalienável direito de emitir opiniões, coisas que não podem fazer mal a ninguém. Sendo assim, creio que não irei despertar a fúria de ninguém.
A Revista Nova Escola, na página 95, traz o seguinte depoimento de uma adolescente chamada de Luciana:
“Já fiquei com menino e menina. Eu gosto, é bom pra curtir a vida. Ñ me apego a ninguém porque beijar na boca de uma pessoa só é mto chato. Meus amigos ficam com uma pá de meninos e meninas tb. Se não fizer isso agora, vou fazer qdo? Qdo ficar velha?” [obs.: texto transcrito ipsis litteris]
O psicanalista Tiago Corbisier Matheus se posiciona diante de um comportamento como esse de Luciana assim:
“Tudo isso faz parte do desenvolvimento da sexualidade e deve ser encarado com normalidade. O que não podemos fazer é repassar preconceitos e tabus para os jovens, pois é sabido que isso prejudica seu desenvolvimento emocional.” (p. 94)
Falando como um educador e a partir de algumas leituras feitas sobre o assunto, reconheço – pois é isso o que dizem os especialistas – que faz parte do desenvolvimento sexual do adolescente o interesse por experiências como a descrita por Luciana e, até, o desejo de ser o sexo oposto. Porém, todo educador precisa saber que tais comportamentos não podem ser reforçados, pois o natural é que eles desapareçam visto serem eles temporários.[1] Nesse sentido, o educador deve não apenas encarar uma situação dessas como normal, como propõe Tiago Corbisier Matheus, mas deve também ter equilíbrio e muito tato pedagógico para não criar ambientes reforçadores que em nada ajudarão o desenvolvimento emocional dos adolescentes.
Falando agora como pastor e a partir do que diz a Bíblia sobre o assunto, afirmo que tais comportamentos são reflexos dos desajustes que a queda edênica causou na mulher e no homem. Essas inclinações não são compatíveis com o que ensina a antropologia teológica sobre o surgimento do ser humano. Elas são forças latentes de uma natureza corrompida que, se não for submetida aos cuidados divinos, levarão a humanidade cada vez mais ao declínio moral.
Ao falar da “Geração Total Flex”, a Revista Nova Escola, em um tom desprovido de neutralidade, mas de aprovação das “experiências” [assim entendi], diz o seguinte: “fazer experiências com meninos e meninas faz parte do processo de formação da identidade” [p. 95]. Eu estou de acordo que tais experiências ajudarão no processo da construção identitária. No entanto, preciso dizer que essas identidades formadas depois da aceitação passiva dessas experiências, tidas e autenticadas como normais, sempre serão, axiologicamente falando, identidades que desprezam os valores divinos, produzindo assim um caos moral. Isso até encontrarem a Verdade, é verdade.
Devo dizer que essa “Geração Total Flex”, que é uma “Geração Bi”, bisexual, precisa saber que ser “Total Flex” não produz satisfação plena.
No caso dos carros flex há aqueles que reclamam dessa tecnologia. Por exemplo: dizem que um carro 1.0 com motor a gasolina andando a 100 km/h, “roda” 17 quilômetros. O mesmo carro, só que flex agora, à mesma velocidade, faz entre uns 11 km com 1L de álcool e 13 km com 1L de gasolina. Daí perguntam: qual a vantagem de um carro flex em relação a um outro que não é flex?
Quanto ao fato de ser da  “Geração Bi”, qual seria mesmo a vantagem? Ser moderno? Ser aceito pelo grupo a? Aproveitar o vigor da adolescência como disse Luciana? Viver a vida? Conheço, de perto, alguns casos de pessoas que foram protagonistas, em um tempo de suas existências, do estilo “Geração Total Flex” e que desenvolveram uma identidade homossexual. Elas afirmam, frequentemente, não serem culpadas por serem assim. Elas dizem isso com pesar, com abalo emocional e com um desgosto latente. Se alguém pensa realmente existir vantagens em ser da “Geração Bi”, saiba que elas não passam de ilusões existenciais de um ser decaído.
Concluindo, digo, como educador e como pastor, que o respeito pelo ser humano deve estar acima da orientação sexual, das teorias científicas e das crenças religiosas. Com isso, não estou, em hipótese alguma, dizendo que respeitar é o mesmo que silenciar a opinião de outrem.

Por Pr Zwinglio Rodrigues

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