Melodia, 25/05/2010
Pr Zwinglio Rodrigues
Um Exemplo de Como não Liderar
Conheço um setor de trabalho onde trabalham vinte e três pessoas com uma função específica comum a todas, um secretário, uma recepcionista e, é claro, uma pessoa que os lidera. Todas possuem competência para estar onde estão, exceto, talvez, a que está à frente.
Eu li e gostei do best-seller O Monge e o Executivo de James C. Hunter. Gostei da maneira como ele escreveu o livro; achei interessante ele usar como paradigma a liderança de Jesus e, gostei, finalmente, de suas conclusões sobre como desenvolver a arte de liderar.
Há um trecho do livro que Hunter diz o seguinte sobre liderança:
É a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir objetivos comuns, inspirando confiança por meio da força do caráter.
Bastante simples essa definição. Porém, perfeita, a meu ver.
Pensemos sobre aquelas vinte e três pessoas citadas acima, o total máximo de sujeitos que precisam desenvolver um trabalho específico, atuando sem entusiasmo. O que elas podem conseguir?
Bom, nada, seria a resposta mais esperada. Mas isso, caso elas não tivessem algum comprometimento com a sua profissão e consigo mesmas como profissionais.
Sendo possuidoras dessa têmpera, o nada que poderia ser perfeitamente a resposta à indagação acima cede lugar ao alguma coisa. Isso é espantoso! Mas, não é razão para comemoração quando é sabido que o alguma coisa não passa de alguma coisa, fato que não oferece, via de regra, as respostas e os resultados que os contextos de trabalho exigem muitas vezes.
Resumo da ópera: estamos diante de um trabalho que está a caminho de uma crescente improdutividade por falta de entusiasmo, algo tão simples de ser despertado. Simples, para alguns, já para outros…
Aquela líder, citada nos inícios desse pequeno texto, é uma dessas pessoas que não sabe despertar o entusiasmo em seus liderados. Na verdade, ela nem trabalha para isso. No entanto, para desestimular ela é a tal. Até parece que é missão de vida dela sufocar e neutralizar potencialidades alheias. Eu contei para um amigo as atitudes dessa pessoa como líder e ele, sem pestanejar, disse que ela é uma sádica. Eu não pude discordar dele.
Algumas características dessa nada inspiradora líder são as seguintes:
Ela é desorganizada. Quando há algum trabalho de maior porte a ser desenvolvido por ela e pela equipe que ela lidera, o que mais se nota são os improvisos, os adiamentos que não deveriam ocorrer, o pegar de surpresa os potenciais parceiros, o fazer e o desfazer que geralmente não é fruto do aprimoramento, mas sim do não saber bem o que se quer fazer, etc.
Ela não cumpre agendas. Se tem uma coisa que os liderados dela sabem é que, reunião marcada por ela, tem mais chance de não acontecer do que o oposto.
Ela desqualifica seus liderados. Prazerosamente ela sempre está pronta para lançar em rosto de seus liderados suas deficiências. Expressões como “vocês são fracos”, “como vocês puderam passar na seleção”, “vou perguntar a comissão de seleção como é que vocês foram aprovados”, etc., constituem-se no mínimo que quero mencionar agora.
Uma vez ela disse para uma de suas lideradas: “você é como a Esfingie do Egito.” Isso a arrasou porque a líder queria enfatizar a imobilidade do monumento relacionando-a a performance profissional dela. Até hoje reverbera negativamente essa rotulação.
A um outro liderado ela disse: “você não sabe escrever.” Tudo isso na frente dos demais e sem nenhum tipo de cuidado.
Para piorar o caso, ela espalha, para além do setor de trabalho, essas suas opiniões que não condizem com a realidade. Esses profissionais desdenhados e expostos ao vexame são competentes. Assim como não é possível esconder a incompetência, também é impossível ocultar a competência. O público junto a quem esses profissionais trabalham acostumou a tecer elogios ao trabalho deles. Mas isso sempre no nível do alguma coisa e não no nível do necessário, do uso quase que máximo das potencialidades e da capacidade de cada um em primar pela ação-reflexão-ação, pois sem entusiasmo nada disso se manifesta como uma força motriz.
Um dia, uma das lideradas perguntou a essa líder porque ela não elogia o trabalho do grupo. Ela respondeu dizendo que era para que o grupo não se acomodasse. Parece “piada”? Para mim parece sadismo mesmo. Ela é muito “jurássica” quanto à arte de liderar; mas é também, em algum nível, desumana.
Um hábito bastante estranho dessa líder é pôr apelidos em seus liderados. Já um outro, que é mais comum por aí, é o de eleger preferidos e preteridos.
Essas ofensas, somadas às demais não relatadas aqui, renderiam um belo processo por assédio moral e bullying. Não sei porquê alguém ainda não a processou. Mas também não tenho certeza se alguém ainda não fará isso. Espero que sim.
Se eu entendi bem o que quis dizer Hunter, sem a força do caráter do líder não há liderado entusiasmado.
Um ponto de altíssimo destaque do livro de James C. Hunter, a meu ver, está em saber que um líder deve ser alguém que conquista as pessoas e que consegue mobilizar entusiasticamente os seus liderados para que façam o que tem que ser feito. Já quanto a essência do livro, para mim, ela está em o líder admitir que ele tem que ser tudo aquilo que ele passou a saber. Infelizmente, a líder da qual falei nada sabe sobre e nem é o tipo de líder que Hunter apresenta. Esse tipo de líder muito me motiva.
Para concluir, quero informar que estou falando de um contexto da educação formal e estou falando de uma educadora. Pode ficar pasmo!
Por Zwinglio Rodrigues