Melodia, 19/05/2010
Pr Gilaelson Santos
Crescimento de Igreja
Atualmente se discute muito sobre fórmulas e métodos de crescimento de igreja. Uma coisa que me assusta é o excesso de preocupação com o assunto, em congressos, seminários e programas na mídia. Por outro lado, essa preocupação tornou-se um fardo enorme para muitos obreiros e por isso a frustração ministerial vem sendo mais comum do que se imagina.
O conceito de igreja bem sucedida hoje em dia é aquela que alcança um número considerável de pessoas, conforto financeiro, reconhecimento social, atribuições estas julgadas como sucesso ministerial. Muitos pastores ficam um tanto quanto perturbados com todo esse processo, de maneira que, quem tem uma igreja “grande” segundo essa filosofia, é porque sabe trabalhar, tem mais unção, está usando o método correto etc.
O que dizer de alguns pastores que começaram no ministério há 20, 30, 40, anos e nunca tiveram uma chamada “Grande Igreja”? Ao passo que colegas que iniciaram há 3, 4, 5, ou 6 anos possuem o triplo ou mais de seus membros. Alguns já me confessaram sentirem uma sensação de incapacidade intelectual e espiritual diante disso.
Depois de 15 anos trabalhando com a igreja de Deus, isso com discipulado, aconselhamento e a pregação da palavra, me sinto liberto e livre de toda essa escrizofenia clerical um dia imposta a mim e a milhares de outros colegas espalhados pelo mundo. Quando digo liberto, digo ser livre daquela angústia vivida no domingo à noite porque não ouve conversão, ser livre é batizar 10 ou 15 e ter no coração o sentimento de que estou fazendo uma grande obra, ser livre é ter a consciência de que após deixar uma determinada comunidade, sei que o evangelho de Cristo foi plantado nos corações, é ver relacionamentos solidificados, pessoas que conhecem a Deus, gente curada e amando o Deus do evangelho.
Alguns anos atrás fui convidado por uma Igreja para ministrar uma palavra em um culto de domingo à noite, após o culto um irmão me fez um convite para ir até a sua casa, eu prontamente assim o fiz, chegando lá ele começa a mostrar-me toda a sua casa, ele fez questão que eu conhecesse canto por canto, quarto por quarto, depois me apresentou sua esposa, porém, eu estava sem entender nada, até o momento em que ele me disse: “ – pastor, todas essas bênçãos que acabei de lhe mostrar foi depois que ouvi uma mensagem ministrada por você sobre relacionamento, quando você orientava para abandonar os pecados sexuais e abraçar o projeto de Deus que é o casamento, depois daquele dia eu me posicionei a respeito e Deus mudou a minha vida, em todos os aspectos”. Daquele dia em diante eu entendi que o poder da pregação do evangelho por si só é suficiente para fazer aquilo que Deus entende que dever ser feito. Conscientizei-me também que é Ele que opera em nós, tanto o querer como o realizar, pois eu estava diante de um moço que não conhecia, nunca havia tido contato mais próximo com ele, eu não pertencia à igreja que ele congregava e mesmo assim ouve uma transformação em que a minha participação em todo o processo foi à menor possível.
Mas, por que eu tenho que fazer a igreja crescer para provar que sou um pastor de qualidade ou que realmente sou vocacionado? Observem as palavras de Jesus: “Pedro tu me amas? Então apascente as minhas ovelhas.” Fica claro aqui, que a ordem é apascentar, ou seja, o meu dever como pastor é pastorear, é cuidar de gente, é guiar o rebanho, é amá-los e em nenhum momento o Senhor joga a responsabilidade sobre o pastor de fazer a igreja crescer, por isso em Atos diz que a cada dia acrescentava o Senhor à Igreja aqueles que haviam de ser salvos, vejam as palavras do apostolo Paulo: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem dá o crescimento”. Em outras palavras, o sábio apóstolo está dizendo, tanto eu, como Apolo, só fizemos o trabalho básico e braçal, o principal e essencial, Deus é quem faz dando o crescimento e todo o crescimento que se desvirtua deste principio, tem o seu caráter duvidoso. Se algum pastor tem feito a igreja crescer, esse crescimento é terreno, carnal e impostor! Só ELE, o EU SOU pode fazer crescer a igreja, até porque, é extremamente possível, alguém por suas habilidades fazer crescer numericamente uma determinada comunidade. Uma boa eloqüência, carisma, bom status, interesses pessoais, entre outros recursos que uma pessoa talentosa pode ter, fará com certeza aquele lugar ou igreja se tornar atrativo, isso é fato. Mas isso não significa dizer que essa comunidade “crescida” é a igreja que vai ser arrebatada. É preciso ter cuidado com a motivação que está por traz do anseio em ter uma “grande Igreja”.
O que é sucesso ministerial pra você, pastor? Número, multidão, falta de espaço nos bancos? Se isso enche os teus olhos mais do que o pastoreamento das ovelhas, é por que a situação é mais séria do que podemos imaginar. A igreja vive hoje talvez uma das maiores crises de pastoreamento da sua historia, onde se vive criando métodos e mais métodos para “crescer a igreja” e o povo continua sem pastoreio. A nossa realidade tem sido esta: pastores cada vez mais distantes de suas ovelhas porque ninguém quer mais ouvir problemas alheios, os aconselhamentos se resumiram aos gabinetes pastorais. Assim, um abraço, uma visita, um “como você está”, já é raro nesses dias.
A ordem do ide de Mt. 28:19,20 é pastoreio puro, é fazer discípulo, ensinar guardar os mandamentos, é a conscientização pelo batismo do novo nascimento; de que meu dever não é ganhar almas e nem tão pouco fazer a igreja crescer numericamente e sim pregar a palavra e cuidar das ovelhas do sumo pastor. Isso basta.