Melodia, 31/03/2010
Pr Stênio de Araújo
Espiritualidade vs religiosidade
Mensagem expositiva
Data: 26.03.2010
Local: Igreja Batista Memorial do Centenário
Referência: Mateus 1.18-25
18. A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, comprometida em casamento com José, antes que coabitassem, achou-se grávida pelo Espírito Santo.
19. José, seu esposo, que era homem de bem, não querendo denunciá-la publicamente, resolveu repudiá-la em segredo.
20. Enquanto assim decidia, eis que o Anjo do Senhor manifestou-se a ele em sonho, dizendo: “José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo.
21. Ela dará à luz um filho, e tu o chamarás com o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados
22. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta:
23. Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel (Is 7, 14), que significa: Deus conosco.
24. Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua mulher.
25. E, sem que ele a tivesse conhecido, ela deu à luz o seu filho. E ele o chamou com o nome de Jesus.
FUNDO HISTÓRICO
1. José é introduzido na história do nascimento para reforçar a reivindicação de que Jesus não teve pai humano. Quando ficou sabendo da gravidez de Maria, concluiu que ela lhe fora infiel, sabendo que o filho não era dele.
2. Uma adultera podia ser apedrejada até a morte: Se houver moça virgem, desposada, e um homem achar na cidade e se deitar com ela, então trareis ambos a porta daquela cidade e os apedrejareis até que morram (Dt 22.23,24)
3. O noivado era um arranjo legal, sendo os noivos chamados de marido e mulher e podia ser dissolvido apenas por divórcio. José e Maria legalmente eram marido e mulher, mas não haviam consumado o casamento através da relação sexual. Só a certeza de que o filho de Maria fora gerado pelo Espírito Santo predispôs José a reter Maria como sua esposa.
4. As pessoas se casavam cedo em Israel, os rabinos opinavam que a idade ideal para o homem era de dezoito anos. O pai era aconselhado a fazer casar o filho “enquanto mantinha a mão sobre o seu pescoço. Os rabinos mais liberais admitiam que era possível esperar até os 24 anos.
5. No que diz respeito as meninas, elas eram casadas no momento em que estivessem fisicamente aptas para isso, o que, segundo a lei, era aos doze anos e meio. Quando Maria deu a luz ela não tinha provavelmente quatorze anos de idade.
6. O noivado judaico durava geralmente um ano. Segundo as nossas leis só o casamento tem um aspecto legal e absoluto de contrato, naqueles dias o rompimento do noivado era o que para nós representaria o rompimento do casamento.
7. A lei reconhec ia direitos e obrigações durante o noivado que eram os mesmos do casamento. A noiva culpada de adultério era apedrejada, exatamente como se fosse esposa. Se o noivo morresse era considerada como viúva.
COMENTÁRIO GERAL – Matthew Henry
Olhemos as circunstâncias em que entrou o Filho de Deus a este mundo inferior, até que aprendamos a desprezar as vãs honras deste mundo, quando comparadas com a piedade e a santidade.
O mistério de Cristo feito homem deve ser adorado; não é para perguntar acerca disto por curiosidade. Foi assim ordenado que Cristo participasse de nossa natureza, porém puro da contaminação do pecado original, que tinha sido comunicado a toda a raça de Adão.
Atente que é ao que reflexiona a quem Deus guiará, não ao que não pensa. O tempo de Deus para chegar com instrução a seu povo se dá quando estão perdidos. Os consolos divinos confortam mais a alma quando está pressionada por pensamentos que confundem.
É dito a José que Maria devia trazer o Salvador ao mundo. Devia dar-lhe o nome de Jesus, Salvador. Jesus é o mesmo nome de Josué. A razão deste nome é clara, porque aqueles aos que Cristo salva, são salvos de seus pecados; da culpa do pecado pelo mérito de sua morte e do poder do pecado pelo Espírito de Sua graça. Ao salvá-los do pecado, os salva da ira e da maldição, e de toda desgraça, aqui e depois. Cristo veio salvar seu povo não em seus pecados, senão de seus pecados; e, assim, a redimi-los dentre os homens para si, que é separado dos pecadores.
José fez como lhe ordenou o anjo do Senhor, rapidamente e sem demora, jubilosamente, sem discutir. Aplicando as regras gerais da palavra escrita, devemos seguir a direção de Deus em todos os passos de nossa vida, particularmente em suas grandes mudanças, que são dirigidas por Deus, e acharemos que isto é seguro e consolador.
INTRODUÇÃO
1. Diante do dilema de Maria, José teve que escolher entre a sua religiosidade e a sua espiritualidade.
2. Eu creio que Deus usa as crises existenciais para nos tirar da religiosidade. Uma Mpelo resto da vida.
3. Ilustração: Pr. João Amador ficou preso a uma compreensão religiosa do divórcio até que se viu na encruzilhada de um adultério. Forçado pelas circunstancias sua mente foi levada a refletir de forma mais elevada a sua situação. Divorciou-se e hoje está casado com um mulher de Deus.
Os Valores mais importantes que a religiosidade
I – PRIMEIRO VALOR: ÉTICA
Mateus 1.19: Mas José seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente.
1 – ÉTICA PESSOALO Relacionamento Comigo Mesmo. Diz o texto que José era justo.
Não fazer nada que fira a nossa interioridade. Nada que fira o nosso próprio caráter.
2 – ÉTICA DO OUTRO. O Relacionamento com o Próximo. Diz o texto que José por ser justo não a queria infamar.
A relação onde o outro é exposto é mera religiosidade. Noventa por cento dos casos seriam resolvidos se nós praticássemos Mateus 18.
3 – ETICA FAMILIAR. Maria não era apenas a pessoa próxima, era também a pessoa familiar.
Conclusão: Ele estava inclinado a deixá-la secretamente para não ferir o próprio coração, o coração de Maria que por sinal era o coração da pessoa amada.
II –SEGUNDO VALOR: FILOSOFIA
Mateus 1.20: Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu em sonho um anjo...
A cabeça de José estava a anos luz da formatação mental da religião.
1. Uma cabeça superior ao tradicionalismo judaico.
2. Uma cabeça superior aos dogmas disciplinares.
3. Uma cabeça superior as estruturas eclesiásticas.
A religiosidade estava dizendo: Passe por cima de tudo isso pra zelar pelo bom nome da igreja, pra limpar o nome da comunidade.
Nós temos que tomar uma decisão hoje
1. Despirmo-nos da religiosidade evangélica ou
2. Quebrarmos muita gente até ao fim sermos quebrados.
Uma pessoa que pensa vale mais que um maracanã de religiosos!
Que lições devemos extrair?
1. Quem vive a espiritualidade receberá no momento certo a direção de Deus. Pelo fato de José ter uma vida mais profunda que sua religião, recebeu de Deus a orientação no momento de muita confusão.
2. Quem vive acima da religiosidade evangélica perceberá que na vida cristã não há acidentes, pois Deus já havia a muito tempo estabelecido que ele passaria pelo vexame. Diz o texto que tudo aconteceu para que se cumprisse...Tudo na vida do crente tem uma razão de ser.
3. Quem vive acima da religiosidade evangélica será um abrigo para os necessitados de proteção, amparo e amor. José recebeu Maria e a criança de tal forma que Jesus era conhecido como o filho de José. Ele acolheu Jesus ainda que não tivesse saído de suas entranhas e o criou como filho do seu coração.