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Melodia, 08/02/2010

Pr Zwinglio

Sem Liberdade,a Verdade não aparece

Pr Zwinglio

Pode um homem rejeitar, e assim impedir, um propósito de Deus em sua vida? Pode um homem negar o cuidado de Deus que, quis porque quis concedê-lo, mas foi impedido pela vontade do homem? Certamente algum calvinista vai responder que não. Isso é impossível, pois Deus é Soberano e o que Ele quer fazer Ele faz; o que Ele quer que aconteça, acontece – ou acontecerá – esbravejará o calvinista. Pois bem, a Bíblia vai desmentir esse calvinista.

Quando o arminianismo diz que o homem é livre para escolher ou a Palavra de Deus ou a palavra de satanás, ele está corretíssimo.

Lucas 7:30 mostra-nos que o homem pode, livremente, virar as costas para Deus e dar um aceno para Ele dizendo “muito obrigado por Sua bondade em ter um propósito para minha vida, mas eu não o quero para mim.”

“Mas os fariseus e os peritos da lei rejeitaram o propósito de Deus para eles, não sendo batizados por João”.

A palavra propósito no grego é boulé. Ela é uma das palavras no Novo Testamento usadas para falar da vontade divina. As outras são thélema, que trata da vontade e das inclinações divinas (Rm 12:2; At 22:14), e eudokía, palavra que refere-se ao beneplácito divino (Fp 2:13; Lc 2:14). Já boulé, fala da determinação de Deus quanto às suas deliberações, planos e propósitos.

No texto lucano em destaque Jesus afirma categoricamente que “a justiça de Deus” (7:29) fazia parte do plano dele para os fariseus e peritos. Ao passo que até os publicanos reconheceram e aceitaram essa “justiça” que lhes outorgara a oportunidade de arrependimento, os intérpretes e fariseus, livremente, escolheram repudiá-la anulando assim o propósito divino.

Um outro texto emblemático é Lucas 13:34.

“Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram!”

Quis o Senhor, mas não pode ver efetuado o seu querer porque “Jerusalém” não quis. O que pensar sobre este fim? Estamos diante de um Deus fraco e diante de homens que sobrepujam a Deus em força? Claro que não! O que temos à nossa frente é o Deus soberano que, por sua livre e espontânea vontade dotou o ser humano de liberdade de escolha, ponto.

A palavra quis no grego é thelô que significa “vontade”. A vontade em destaque é a de Deus que, segundo Jesus, foi frustrada não uma, mas diversas vezes. Esse lamento de Jesus está relacionado ao seu ministério e à sua mensagem. Ele está destacando a rejeição aberta, franca e livre de Israel a Ele e ao seu Evangelho.

O interessante em ambos os textos analisados é que Jesus faz questão de realçar a ação humana opondo-se ao querer divino. Isto ele faz sem nenhum constrangimento, sem nenhuma evidência de que a Soberania divina sofra algum arranhão por causa do homem opor-se a Deus e sair “vencedor”. Apenas na cabeça dos calvinistas cabe a idéia de que o exercício da vontade humana, colaborando ou não com Deus reduz Ele a uma posição de inferioridade ou de impotência.

A Bíblia dá valor ao exercício da vontade humana em vários aspectos e, segundo o que os textos lucanos nos mostram, há uma valoração do não humano a propósitos divinos salvíficos. O homem é imagem e semelhança de Deus, que É livre quanto à sua vontade, e em ele, o homem, não podendo manifestar-se livremente, ele não mais compartilharia da imagem divina, coisa que não tem respaldo bíblico. O arminianismo está correto quando afirma que no homem restou algum bem suficientemente capaz de habilitá-lo a desejar receber ou não o Evangelho da salvação. Se não é assim, pergunto: estaria Jesus mentindo em Lucas 7:30 e em 13:34? Não, pois sem liberdade, a verdade não aparece.


 

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