Melodia, 30/10/2009
Pr Stênio Verde
Interferências
No primeiro capítulo do livro de Tito, Paulo está preocupado com a formação de caráter dos novos presbíteros, ele havia deixado Tito na ilha de Creta para por em ordem esta questão, ele então aponta virtudes a serem observadas nos novos presbíteros e em seguida fala de interferências que podem desvirtuar a verdadeira espiritualidade da igreja.
Pelo menos duas interferências preocupavam o apóstolo; a influência judaizante e as vicitudes culturais ou sociais dos cretenses.
A influência judaizante representa qualquer forma de espiritualidade que vivenciamos antes de conhecermos a Cristo e seu evangelho libertador. Podemos levar pra dentro de nossa experiência com o evangelho toda esta bagagem religiosa e julgarmos que ela promoverá uma santidade ainda maior. Mas o evangelho e vinho novo que não podemos por em odres velhos.
Acredito que esta interferência religiosa e uma das fortes razoes que tranformam o evangelho em outro evangelho. Quao difícil e para um crente que veio do catolicismo por exemplo se livrar do conceito de “graça meritória”, entender com profundidade o evangelho da graça que não barganha. Se ele então se converter numa igreja evangélica que tem campanha no lugar de novena, hóstia no lugar de pão, paramentos clericais e liturgia semelhante a católica, sentir-se-a muito a vontade neste ambiente e traduzira tudo isso como uma espiritualidade verdadeira e promissora.
Outra pessoa vem de uma experiência com o espiritismo e passa a freqüentar um ambiente onde o pastor fala sobre o descarrego, onde as pessoas tomam passes, trazem roupas e fotografias para serem abençoadas e ela percebe que tudo isso, o sal grosso, pessoas possessas nas reuniões de culto e tudo mais fazem parte do mundo espiritual de onde ela saiu, ela medira sua espiritualidade pela participação em tudo isso e ainda por cima vera com desconfiança reforçada pelo ambiente evangélico-kardecista, todos aqueles que vivem o evangelho da graça.
Nos dias de Paulo eram os judeus a quem Paulo chama de circuncisão de forma proposital, pois eles não abriam mao do legalismo judaico e dos ritos da circuncisão que faziam parte da vivencia deles antes de conhecerem a Cristo.
Paulo chama estes judeus de desordenados, faladores, vazios e enganadores. Tais são hoje os pastores que introduziram em suas comunidades estas falsas manifestações de espiritualidade.
So que daqui pra frente vai ser bem pior, os novos convertidos agora estão muito mais confusos a respeito do evangelho do que antes pois já passaram por todo tipo de espiritualidade, catolicismo-espirita, espiritismo-evangelico, protestantismo-católico e o que e pior, o catolicismo-espirita-evangelico. Pra esse individuo entender o evangelho da graça e não apenas entender mas vivenciar este evangelho será praticamente impossível pois ele trás consigo uma bagagem religiosa tão confusa que isso poderá roubar definitivamente dele a vivencia com o evangelho da graça em todas as suas dimensões.
E este evangelho que esta fazendo proselitismo no Brasil, que esta “transtornando casas inteiras” como lemos no texto, por torpe ganância. Eu diria que este modelo aberto, de uma liturgia e doutrina sem fronteiras pra abrigar todo mundo e a razão do crescimento numérico no meio evangélico e nem tanto os pacotes eclesiásticos que prometem tal crescimento, ao meu ver estes pacotacos servem apenas para organizar a ganância. O plano econômico da ganância tem um tripé; abertura doutrinaria, pacote eclesiástico e doutrina da prosperidade. Estas medidas trouxeram grande ‘lucro’ a igreja evangélica brasileira.
Uma outra interferência na verdadeira espiritualidade e apontada por Paulo ao mencionar os pecados comuns da sociedade cretense. Um de seus patrícios apontou três características sociais que, segundo Paulo poderiam trazer grande prejuízo ao evangelho da graça: “Os cretenses são sempre mentirosos, bestas ruins e ventres preguicosos.
Fiquei me perguntando o que Paulo teria dito a respeito dos pecados sociais da nação brasileira. Vou arriscar três características; misticismo, corrupção e mentirosos.
Paulo assim escreveria se conhecesse nossa pátria: Brasileiros, são sempre mentirosos, místicos e corruptos. E eu confirmaria dizendo que este testemunho e verdadeiro.
Paulo então diz a Tito: Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sãos na Fe. Ele temeria que este vícios próprios de nossa nação invadissem a igreja evangélica brasileira.
Tarde demais, não deu outra, o mal que Paulo temia nos aconteceu.
Somos agora católicos-espiritas-evangelicos pela via da religiosidade e mentirosos-misticos-corruptos pelo caminho largo da cultura social. Duas interferências devastadoras e irreversíveis.
Paulo encerra dizendo que tais igrejas confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra.
Quem tem ouvidos para ouvir ouça o que o Espirito diz as igrejas.
Pr. Stenio Verde