Sexta, 10 de Setembro de 2010
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Melodia, 08/10/2009

Pr Zwinglio

Querem o Som do Silêncio

Pr Zwinglio

Ouvi dizer que estão orando para que o Debate Melodia Conquista acabe. Será que estão mesmo? Aqui em Vitória da Conquista há precedentes quanto a práticas desta natureza. Minha preocupação inicial com essa informação é que ela pode não passar de uma informação repassada de maneira enviesada. No entanto, independente da veracidade ou não de tal informe, quero dizer algumas coisas sobre isso que já servirão, de antemão, como uma expressão do meu pensamento particular.
1º O que passo a dizer agora tem relação com o meu compromisso com a minha própria consciência. O que significa dizer que não sou representante de ninguém e de nenhuma instituição.
2º Qual o mal que o Debate Melodia causa à Igreja de Vitória da Conquista para que ele desperte esse possível desejo de “decreto de morte”?
Respondo:
a) Ele abre espaço para que vozes da coletividade e não da segmentação ecoe pela cidade. No Debate Melodia falam à uma audiência evangélica, assembleianos [ligados a diversos ministérios], batistas [ligados a diversas convenções], presbiterianos [do Brasil e renovados], congregacionais, metodistas wesleianos e até neopentecostais [eu mesmo dividi a mesa de debate com o pastor da Internacional da Graça de Deus]. Sem contar que já foram convidados para estarem participando dos debates líderes da Mundial do Poder de Deus e líderes ligados ao movimento apostolar. Todos são convidados para discutirem a cidade e seus problemas sociais bem como são convidados a discutirem o momento atual da Igreja em Conquista, na Bahia e no Brasil. Isso é salutar ou não? A resposta pode ser sim ou não. Sim, se estivermos preocupados com uma pregação genuína do Evangelho e não se estivermos interessados na construção de guetos repletos de interesses convenientes.
O primeiro Concílio da Igreja Cristã em Jerusalém lá por volta do ano 50 d.C. mostra que discutir a Igreja faz-se necessário. Hoje o que se discute – diga-se de passagem que isso se faz de maneira controlada e manipulada sempre com vistas à manutenção do status quo de alguns espertinhos – são os problemas das tribos sem se preocupar com a saúde do Corpo. Nos guetos, ninguém além dos que estão vinculados a eles podem opinar (só lembrando que até muitos dos que fazem parte desses guetos nem sempre podem dizer alguma coisa ou, quando dizem, nem sempre são levados em conta), provocar a reflexão, apontar os desvios e os desmandos, por isso, quanto ao alcance macro, nenhum valor há nessas discussões internas. O Debate Melodia, democraticamente, propõe exatamente o oposto. Todos falam de tudo que é positivo e negativo em relação ao todo (refiro-me à Igreja) independente dos guetos (refiro-me às denominações) de onde procedem tais vozes.
b) Ele provoca a libertação dos crentes. Jesus disse que quem viesse a conhecer a verdade se tornaria verdadeiramente livre. Ora, nas Escrituras existem diversas verdades. Como devemos proceder para conhecê-las? Simples! Pelo desvelamento da mentira. Mas como saberemos o que é mentira sem expormos a verdade? Jamais saberemos alguma coisa sobre aquela sem o apontar desta. Ao propor que todos os segmentos evangélicos sentem-se à mesma mesa, o Debate Melodia está possibilitando que o Corpo e não as tribos discuta o que é verdade ou mentira à luz da Bíblia. Isso é ruim? Não! Mil vezes não! Isso é um sonho! Um doce sonho!
Não sou ingênuo a tal ponto de acreditar que todos pensarão uniformemente sobre tudo. Na verdade, eu penso que se isso acontecesse o que iria reinar entre nós seria o tédio, a esterilidade do pensar e do refletir. No entanto, eu acredito que é fundamental a constância das discussões, dos confrontos teológicos, pois, assim como é processual a santificação da Igreja, também os ajustes doutrinários o são (quando falo sobre um ajustamento longitudinal quero dizer que isso se dará até a consumação de todo propósito divino mesmo).
c) O Debate Melodia é um instrumento desestabilizador. Desestabilizador de que? Da falsa unidade evangélica. Pior do que a falta de unidade é o descanso sobre a falsa unidade. Esse berço não é esplêndido, mas a Igreja tem descansado nele. Há um incômodo por parte de alguns líderes e seus respectivos líderes (se é que existe esse sentimento mesmo) em Vitória da Conquista porque, segundo informações, dizem eles, os debates perturbam a paz entre os evangélicos e quebram a unidade entre o povo de Deus. Isso não passa de um sofisma! Não há unidade sem a prevalência da verdade sobre a mentira. Não há unidade de fato quando se é vedado o direito do questionamento. Quando o silêncio, o não questionamento, a esterelização da reflexão se impõe, o que se constrói não é nenhuma unidade e sim a conveniência e o hábito de se jogar para debaixo do tapete o lixo comum. Uma unidade onde o que prevalece são os sorrisos, os tapas nas costas, o sentar à mesma mesa para não se tocar nas feridas é mentirosa, terrenal e diabólica. A verdadeira unidade ocupa-se com a verdade acima de qualquer coisa. Os debates são uma oportunidade de se evitar o engodo que a falsa unidade tão pregada se difunda ainda mais. Isso é ruim?
Como o espaço aqui é pequeno demais para eu continuar respondendo à pergunta que deu origem à essas respostas, quero provocar-lhe para que você faça uma segunda e uma terceira leitura de tudo que foi apontado acima e do que será dito abaixo.
3º Para finalizar, pergunto de maneira retórica: por que o Debate Melodia lhe incomoda tanto em cara-pálida?

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