Melodia, 16/09/2009
Pr Stênio Verde
Evangélicos Desobedientes
Quase tudo que Jesus disse que não deveríamos fazer os evangélicos estão fazendo, eles tem problemas com o senhorio de Cristo.
Jesus disse que não queria ver seus filhos orando em praças públicas e recomendou que a vida de oração deveria ser a mais seleta e discreta possível. Não adiantou Jesus dizer isso, pois os evangélicos adoram orar nas praças e nas esquinas como os fariseus. Será que os evangélicos pensam que Ele vai ouvir tais orações? Ora, se eles não ouvem o que Jesus está dizendo, Ele também não vai ouvir o que eles dizem nas praças.
“E quando orardes, não sereis como so hipócritas; porque GOSTAM de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa”
Jesus não queria que a espiritualidade fosse demonstrada pelas vestes, o fariseus usavam todos aqueles paramentos para serem vistos pelos homens. Os evangélicos fazem ouvidos de mercador, gostam de fardamento, de sair pela rua pra exibir a espiritualidade. Todos brincam de tudo-o-que-mestre-mandar-faremos-todos, e acabam se vestindo da mesma maneira, usando o mesmo vocabulário, gestos e linguagens não verbais. Os soldadinhos-uniformizados entram na brincadeira. Agora temos os sem-terra com suas vestes características, os sem-teto também uniformizados e os evangélicos sem-juízo, todos uniformizados. Marcha soldado, cabeça de papel!
O texto sagrado diz: “Praticam porém, todas as suas obras com o fim de serem vistos dos homens; pois alargam os seus filactérios e alongam as suas franjas.”
Os filactérios eram cápsulas, ou rolos de couro, que os judeus usavam na testa, perto do coração e no braço esquerdo e continham textos das Escrituras. As franjas alongadas eram usadas como lembretes visíveis da profissão religiosa, tal como se vê hoje no meio evangélico.
Jesus recomendou que tivéssemos todo o cuidado em não endeusarmos os gurus evangélicos: “Vós porém , não sereis chamados mestres, porque um só é o vosso mestre, e vós todos sois irmãos.”
Não adianta, os evangélicos desobedientes continuam idolatrando e se curvando diante do panteão hierárquico dos falsos mestres. Nos dias de Jesus os fariseus se assentavam na cadeira de Moisés: “Na cadeira de Moisés, se assentaram os escribas e os fariseus.” Eles achavam que eram a continuidade do ministério profético de Moisés, mas não eram. Da mesma forma que os líderes judaicos se assentaram na cadeira do profeta Moisés, os lideres das igrejas evangélicas estão assentados na cadeira apostólica de Pedro, de Paulo e de outros legítimos apóstolos. Mas da mesma forma eles não são apóstolos mas pensam que são.
Como eles são desobedientes e interpretam as Escrituras para benefício próprio, imitaram os fariseus até no fato de chamarem tais apóstolos de pai. Jesus disse categoricamente: “A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é o vosso pai, aquele que está nos céus.”
Mas como os evangélicos desobedecem frontalmente as advertências de Jesus, chamam seus pastores de apóstolos e como se não bastassem agora chamam aquele que esta na ponta da pirâmide apostólica de pai-apóstolo.
Mas eles estão esquecidos que no mesmo texto existe um severa conseqüência: “Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado”.
Jesus disse que o jejum deveria ser algo intimo, que o próximo não deveria saber, diferentemente dos fariseus que demonstravam que estavam jejuando pela fisionomia, hoje o pessoal não esconde a cara, conta pra todo mundo que faz jejum disso e daquilo, sem falar que é cada jejum; jejum de Coca-cola, de feijoada, mas a picanha pode comer a vontade. Na verdade é mais uma dieta, ao meu ver, que um jejum. Igual ao samba da dieta do chá onde o cantor diz: picanha, chá comigo! Verdura, chá pra lá! O jejum evangélico é um desfile na Sapucai, uma festa.
A bíblia afirma que mais vale controlar o seu espírito do que conquistar uma cidade (Pv. 16.32). Os evangélicos querem conquistar a cidade sem terem conquistado o seu espírito desobediente. Estão tão preocupados com a cidade que esquecem de conquistar a si mesmos. Porque conquistar uma cidade depende de uma guerra, conquistar o espírito depende da paz interior, conquistar a cidade sem conquistar a si mesmo revela uma espiritualidade rasa. Deus não vai nos perguntar se nós conquistamos uma cidade, mas se controlamos o nosso espírito. Se os evangélicos controlassem o seu espírito não desobedeceriam.
Jesus falou que deveríamos ter cuidado com os falsos pastores, mas a igreja evangélica se tornou uma fábrica de falsos pastores, milhares todos os dias estão se dizendo chamados sem as credenciais do pastoreio, alguns até se autodenominam pastores.
“Acautelai-vos dos falsos profetas, que vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores” Mt 7.15
Jesus proibiu o acumulo de bens e tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde os ladrões escavam e roubam, ele recomendou que deveríamos ao invés disso ajuntar tesouros no céu. Mateus 6.19,20.
Para nossa surpresa não é que os evangélicos estão acumulando riquezas, será que eles ouviram direitinho o que Jesus falou? E ainda ensinam e criam um corpo doutrinário chamado teologia da prosperidade. Pode uma coisa dessas?
A unção no Novo Testamento é aplicada em caso de enfermidade, mas os evangélicos hoje ampliaram por conta própria a unção com óleo. Esse dias uma vizinha me pediu pra ungir o carro dela zero quilômetro, porque será que ninguém quer ungir um fusca velho? Com muito jeito eu me neguei, mas fiquei de ruim na história, então ela conseguiu uma vizinha que ungiu o dito carro. Daqui a pouco as concessionárias estarão vendendo seus carros que já saem com seguro pago, IPVA pago e unção garantida. Será que Jesus faria isso? Será que os apóstolos aprovariam essa unção automobilística? Duvideodó! A unção desceu tanto que hoje se unge as partes íntimas de uma pessoa. Quando morei em Minas Gerais, numa cidade pequenina o pastor de uma igreja evangélica instituiu a unção vaginal e peniana na igreja e uma profetiza disse que todos deveriam ficar uma semana sem banho. Todos usavam uma mesma camisa onde estava escrito: Eu tenho a unção! E todo mundo na cidade já sabia aonde, pois ninguém aguentava mais o mal-cheiro que tomou conta da cidade.
Os evangélicos estão vivendo um momento de muita euforia, com resultados numéricos, financeiros, status e glamour. Os judeus também eram muito melhores quando Cristo veio, do que nas eras anteriores. Era a idade de ouro da religião farisaica. Sua idade áurea crucificou a Cristo. Nunca houve tantas orações, e nunca tão pouca oração verdadeira; nunca tanto sacrifício e tão pouco sacrifício real; nunca houve menos idolatria e nunca os homens foram tão idólatras; nunca houve tanta adoração no templo, e nunca Deus foi menos adorado; nunca houve mais culto com os lábios, e nunca houve menos culto de todo o coração. Deus era adorado por lábios cujos corações e mãos iriam crucificar o Filho dEle. Nunca houve tantos freqüentadores de igrejas e templos pipocando por todos os lados, mas nunca houve tão poucos santos.
A desobediência dos judeus era antiga, tal como hoje se vê. Deus ordenava que não trouxessem o animal coxo, ou cego ou manco para o sacrifício, mas advinha? Eram estes animais que eles ofereciam no altar. Deus dizia, não traga pão imundo eles traziam.
Veja a dor no coração de Deus descrita em Malaquias 1.6: “O filho ama o pai e o servo ao seu senhor. Se eu sou pai onde está a minha honra? E, se eu sou Senhor, onde está o respeito para comigo?”
No verso nove lemos: “Agora pois suplicai o favor de Deus, que nos conceda a sua graça; mas, com tais ofertas nas vossas mãos, aceitará ele a vossa pessoa? Diz o Senhor dos Exércitos.”
Eu pergunto: Aceitará ELE evangélicos desobedientes?
Não definitivamente, não!
O pior é que eu sei que muitos que irão ler esta minha opinião, além de não concordarem com ela, vão pensar que eu sempre jogo contra eles e alguns irão levar para o campo pessoal, outros vão achar que eu sou o dono da verdade, e todas aquelas coisa que eu já sei de antemão, é muito difícil pra quem está dentro enxergar o erro dessa filosofia. E olha que eu estou mostrando claramente a luz das Escrituras que tudo isso é uma desobediência as instruções do próprio Jesus.
No final vai sobrar pra mim.
Que seja!
Pouco me importa.
Garanto que se fosse Jesus que estivesse escrevendo diria coisas ainda piores e mais pesadas, como fez com os fariseus, mas eu me resguardo apenas a alertar a quem quer que seja a respeito desse novo farisaísmo evangélico.
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!
Pr. Stênio de Araújo Verde
16 de setembro de 2009