Melodia, 23/08/2009
Pr. Stênio de Araújo
Trocando seis por meia dúzia
A mudança de religião pode nada significar, apenas uma mudança de roupa, uma mudança de endereço, a mente continua a mesma, o coração continua intacto, duro, morto, não pulsa vida real, apenas mudamos de ambiente, mudamos de líderes religiosos, e práticas litúrgicas mas não houve conversão, transformação completa e radical, a natureza continua, não houve novo nascimento, o nome foi gravado no rol de uma nova comunidade religiosa, mas não foi escrito no livro da vida.
Trocamos as novenas pelas campanhas e pelas correntes.
Trocamos as imagens de escultura pelo copo dagua em cima do televisor, pelo óleo sagrado, pela água trazida do rio Jordão, pela espada de Josué, pelo tapete vermelho da vitória, por todos os balangandães do neopentecostalismo. As imagens somente diminuíram de tamanho mas os deuses continuam os mesmos.
Trocamos o terreiro de macumba pelos descarregos evangélicos pra ter o corpo fechado contra o mal olhado do diabo.
Trocamos toda aquela pesada hieraquia católica, pela hieraquia não menos pesada do protestantismo, que sobretudo nesta fase de ´expansão’ cria novos postos de comando, cada vez mais altos, alguém precisa estar na ponta da pirâmide assentado no trono do apostolado, precisamos também de um papa, se é que já não o temos.
Trocamos Fábio Junior por Fábio de Melo. O estilo musical é o mesmo, a voz é bem parecida e as músicas são românticas, apaixonantes e a tietagem... as fiéis amam o padreco.
Trocamos a globo pela Record. Marinho por Macêdo. A mudança não deu em nada, pelo contrário, o dinheiro da igreja agora está investido na obra do diabo, pois a Record tem uma programação do inferno.
O comércio evangélico evoluiu tanto que hoje quando se fala em Record se pensa em Edir Macedo e na Universal, é a mesma coisa de quando falamos na marca Bombril, é impossível não associar a marca a fisionomia de Carlos Moreno, aquele rapaz franzinho que desde a década de 70 é o garoto propaganda da marca. A Bombril está comemorando este ano um lucro de 84 milhões de reais, a Record com certeza tem muito mais a comemorar. A Bombril perto da Record é apenas uma palha de aço.
As vezes penso que a troca nem sempre é elas por elas, é alhos por bugalhos, me explico, as vezes trocamos a trindade santa, por outra a mudarmos de religião, os caras não pouparam nem mesmo a santa trindade dos cambalachos: “Hoje precisamos de 10% para o Pai, 10% para o filho e mais 10% para o Espírito Santo”, afirmou um dos clones do Edir nos “cultos televisivos” da Universal.
De mais a mais, a Universal não tem problemas com o fisco, já Bombril não escapa das garras do leão.
Coitado do Celso Freitas, fiquei com uma peninha dele, ta mais perdido do que cachorro em dia de mudança, em 1990 fez um Globo Repórter pra malhar o Judas da Universal, agora na Record detona a Globo.
Mas vamos falar de outras mudanças.
Trocamos os pagodes nos botecos da esquina nos finais de semana pelos grupos de pra-gods da música gospel. É só uma mudança de boteco. Num passado não muito distante os compositores evangélicos faziam música pra Deus ouvir e se agradar, consequëntemente as pessoas que conheciam o coração de Deus amavam as mesmas canções, hoje a maioria dos compositores fazem música para os homens evangélicos e não evangélicos(mercado promissor), ouvirem e se agradarem, se Deus aprecia isso, não importa, o interessante é atrair o cliente e faturar, e quem sabe fazer sucesso.
A feira do rolo no meio evangélico esta crescendo, o numero de escritos aumenta a cada dia, todos querem montar sua barraca num lugar estratégico, ainda que tenha cinco barracas na mesma rua, vendendo o mesmo produto, não tenha duvida, ninguém perde nada, qualquer biboquinha tem potencial pra se tornar no futuro bem próximo num grande supermercado da fé, com fachada de supermercado, os anúncios continuam mas os produtos mudaram porque dão mais lucro, ao invés de anunciar feijão em promoção, anuncia-se óleo da unçao, no setor de utensílios domésticos ao invés de toalhas de banho, toalinhas benzidas pelos trezentos e dezoito pastores.
Mudaram até o vocabulário para atrair de forma definitiva o cliente, a palavra-chave já não é promoção, esta esta caindo em desuso, a palavra é um pouco menor, se parece com promoção mas é mais curta, mais chamativa, mais fácil de anunciar e de fazer um jingle melhor – Unção. Pra que uma palavra tão grande pra descrever a mesma coisa, PROMOÇÃO, uma palavra menor é mais fácil de ser lembrada, soa bem, UNÇÃO, sendo assim todos os produtos devem estar em UNÇAO, o óleo, a toalhinha, a roza, a água no setor ende esta a padaria você vai encontrar um pauzinho da unção, E MEIA DÚZIA DE COISAS.
Trocamos Caio Fábio por Silas Malafaia, com o naufrágio do Caio o mundo evangélico, em crise fez do Silas a tábua de salvação, apesar do Silas não servir pra tapar o buraco negro que o Caio deixou, não havia outro senão Silas. O Caio nunca mais voltou ao cenário com a força de antes, passou a filosofar ao invés de pregar, escrever sobre a “ressurreição do penis”, defender o sexo pré-marital, e também a liberação por parte do governo brasileiro do uso de drogas, como faz a Holanda, e agora de forma insana divulgar os podres de seus desafetos, dentre eles o Silas Malafaia.
Bem, o Silas, o meia-dúzia, surtou!
Coitado dos evangélicos que trocaram o Caio pelo Silas, trocaram seis por meia dúzia, o Silas parece sofrer de “depressão bipolar”. Em 95 defendia a Universal e a Record com unhas e dentes, em 2007 a bipolaridade entrou em cena, decepou a Universal e a Record. No passado não era adepto da doutrina da prosperidade, ele pregava contra, mas hoje prega contra o que pregava antes, o Morris Cerullo que o diga, foi patético ver no programa do Silas o Morris Cerullo pedindo 900,00 reais e explicando que esta quantia está baseada no ano de 2009, ou seja, o ano termina em nove, uma cabalística do inferno. E o Silas com a cara mais limpa do mundo apenas balançando a cabeça em sinal de aprovação.
Num momento o Silas desse a lenha no Rene Terra Nova, aquele que roubou a criança(G12) do pai legítimo, o Paul Yong Chu, e deu uma versão latino-americana ao G12, e depois o mesmo Silas abraça e beija todo esse pessoal.
Desculpe a brincadeira, mas o Silas vai trocar brevemente o CERULLO por SEUROLLO.
Os picos de humor dele é que determinam os seus amigos. Ele deve estar agora num momento de euforia pois o seu novo amiguinho é o insano líder da Igreja Mundial.
Pois bem não quero ser enfadonho, termino apenas dizendo que um dia os religiosos não mais trocarão seis por meia dúzia, os negócios terão lucros exponenciais, o seis será trocado por seissentos e sessenta e seis. Nesta época não haverá comércio religioso, tudo será comercio e quem não tiver a marca da besta não poderá mais vender a unção.
Vitória da Conquista
22 de agosto de 2009
Pr. Stenio de Araújo Verde