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Sábado, 04 de Setembro de 2010
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Melodia, 07/08/2009

Rev João Marcos Costa

Rev João Marcos da IPB

Rev João Marcos Costa

Quando e como se deu sua conversão e chamada para o ministério pastoral? Que idade tinha na época?

      R: Pelo fato de nascer num lar evangélico e sempre estar envolvido com as coisas de Deus, não consigo lembrar de um momento específico da minha conversão, como acontece com muitos. Contudo, ciente de que filho de crente não é crentinho e não é convertido nem salvo só pelo fato de nascer no lar evangélico e trabalhar nas coisas de Deus, minha conversão se deu num processo continuo a partir dos 13 anos de idade quando senti a necessidade de professar com a minha boca o nome de Cristo, procurar viver o evangelho pleno e assumir de uma vez por todas minha identidade cristã.

      Já  o meu chamado para o ministério se deu entre os 19 e 20 anos quando eu, como diácono da Igreja Presbiteriana de Itabuna-BA, me dispus a assumir uma congregação da igreja que estava abandonada. Foi ai que Deus começou a incomodar meu coração e me chamar para o ministério, mostrando-me os dons de pastor. Relutei no inicio contra o chamado, mas percebi que não adiantava fugir... Fui para o Seminário JMC em São Paulo em 1995, formando-me em 1999, sendo ordenado pastor em 2000. Hoje me sinto muito feliz servindo a Cristo e ao Seu Reino no Ministério Pastoral. 

Quando teve a convicção de sua chamada para o ministério e como foi?

      Entre os anos de 1993 e 1994 quando estudava Administração de Empresas na UESC, pensando em assumir os negócios de meu pai, Deus começou a mostrar-me o ministério pastoral. Imediatamente resisti, não porque me recusava a servir a Deus, mas porque achava muito difícil e de extrema responsabilidade assumir tal função. Pensava em servir como diácono ou presbítero, com a minha empresa e meus dons. Contudo, meu coração, cada dia mais e mais se inflamava por servir a Deus integralmente e diretamente no ministério pastoral. Depois de muita oração e busca, entreguei-me completamente a Deus, conversei e orei com minha família, minha liderança e outros irmãos, decidindo-me deixar tudo o que eu estava fazendo e partir para o seminário em 1995.

Que impacto isso trouxe para sua vida e família na época?

      Toda minha família me apoiou bastante. Meus pais e meus 5 irmãos me motivaram, apesar de me alertarem sempre das muitas dificuldades e espinhos inerentes ao ministério pastoral. Lembro-me como hoje meu pai citando para mim I Timóteo 3.1: “se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja” e Romanos 10:15: “Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!” Contudo – disse ele – muitas lutas e dificuldades virão. Ele, como presbítero experiente, sempre envolvido com a obra e bastante conhecedor das agruras de muitos pastores, começou a relatar-me das dificuldades relacionadas ao ministério pastoral. Hoje tenho um irmão pastor, um irmão presbítero, uma irmã casada com filho de pastor, outra irmã casada com irmão de pastor e um sobrinho no Seminário.

Qual foi seu maior desafio ao cumprir com o chamado e como o superou?

      O ministério por si só já  se constitui um grande desafio. Contudo, lembro-me de 2 grandes desafios até aqui. O primeiro foi quando fomos pastorear uma igreja em Cuiabá. Eu e minha família sofremos muito com o clima, enfermidades sérias e com problemas difíceis que a igreja estava enfrentando na ordem doutrinária e financeira. A beira de uma depressão e já pensando em desistir de tudo, Deus me levantou, usando pessoas como instrumentos preciosos para pastorear meu coração e de minha esposa. Foi ai que superamos os problemas, nos sentimos desafiados e passamos pelo vale escuro.

      O outro grande desafio foi quando me convidaram para dirigir o primeiro seminário teológico da igreja presbiteriana do Chile. Eu que nunca tinha dirigido um seminário, estava ali, num outro país, outro idioma, outra cultura, outro tipo de comida, além do clima muito frio, quase insuportável. Além disso, quando cheguei o seminário não tinha professor, nem aluno, nem sede própria. Só a boa vontade e a boa mão do Senhor (prá que mais?). Era um trabalho totalmente incipiente. Aceitei o desafio pensando em trabalhar no Chile pelo menos uns 10 anos para deixar constituído um Seminário com o básico do básico. É ai que entra o poder de Deus em contraste com a incredulidade do homem. Depois de 4 anos de minha estada ali, Deus milagrosamente, apesar de meu trabalho, nos deu uma sede própria, um grupo de 60 alunos, um quadro de 20 professores e hoje o Seminário funciona plenamente para a Glória de Deus.

      Agradeço muito a Deus pela vida de amigos, irmaõs e colegas que sempre me apoiaram e me ajudaram na jornada cristã até aqui.
 

Antes de receber o chamado e assumir definitivamente o ministério o senhor tinha planos de uma carreira profissional ou outros planos em vista?

      Estava no 3º ano do curso de Administração de Empresas e na época em que fui para o seminário desfiz totalmente de uma peixaria quase instalada na cidade de Itabuna-BA, deixando uma freguesia fiel, formada com muito suor e dificuldade, para traz. Além disso, assumi do meu pai um comercio de móveis e eletrodomésticos na cidade de Una-BA. Tive que deixar tudo quando partir para o seminário. Não me arrependo de nada e se fosse hoje faria o mesmo. 

Como tem sido conciliar família e ministério desde que se casou? Qual tem sido o maior desafio? 

      Não  é nada fácil conciliar família e ministério, contudo, é mister que o pastor saiba dar prioridade aquilo que é mais importante, de acordo com a Palavra de Deus. Entre família e igreja o mais valioso para o pastor deve ser a família, sem sombras de dúvidas. Um dos requisitos do ministro apresentados pela Palavra é “governar bem a casa”, pois se ele não sabe fazer isso, estará desqualificado para “governar”, “pastorear” a igreja. Entendendo isso, tenho procurado investir parte de meu tempo devidamente à minha família, à minha esposa e aos meus filhos. Como meta, alem do tempo juntos, procuro orar e ter momentos devocionais em família. Este é o meu maior desafio.

Que frutos têm colhido tanto no ministério quanto na vida pessoal e familiar desde que decidiu se lançar no ministério pastoral?

      Muitos frutos tenho colhido... As bênçãos por Deus outorgadas a mim são inúmeras. Na vida pessoal tenho colhido o fruto da satisfação em Cristo. Me sinto realizado somente pelo fato de trabalhar na obra do Senhor. Sinto que Deus tem me feito crescer na sua graça e conhecimento. Além disso, sirvo a Deus numa igreja que amo e me sinto amado por ela. Na vida familiar tenho colhido também muitas bênçãos, cada dia mais amo minha esposa e me sinto amado por ela, amo os meus filhos e sinto o retorno. Só o fato de ouvir do meu filho de 5 anos o desejo dele em ser pastor, já é um fruto grandioso.

É muito comum em famílias com mais de um filho, os pais ou um dos pais demonstrar uma certa predileção em relação a determinado filho ou filha. Já aconteceu isso com o senhor? Já se viu tentado a demonstrar certo apego a um de seus filhos?

      Graças a Deus fui criado com 5 irmãos e nunca senti por parte de meus pais predileção por algum. Quando aprendemos isso, fica mais fácil dar seguimento no nosso lar. Amo os meus filhos da mesma forma, sem acepção, cada um com a sua personalidade e individualidade. A única diferença é que amo a Deborah a 8 anos, Juan a 5 anos e a Raquel a 2 anos. Amo a todos com o mesmo amor, só que a Deborah eu amo a mais tempo do que Juan e Raquel.

Em algum momento o senhor já usou da vara para corrigir seus filhos? Como foi isso e em que momento a vara deve ser aplicada?

      Em Provérbios a Bíblia fala claramente sobre a necessidade do uso da vara. Meus pais usaram a vara comigo e eu sou muito grato a Deus por isso. Eu já usei sim a vara conforme a Palavra e creio que ela deve ser aplicada como resultado do amor não complacente diante do erro. A Bíblia diz que o que retém a vara aborrece ao seu filho, mas o que o ama, cedo o disciplina (Pv.13.24). Contudo, os gestos de amor e carinho devem sobrepujar os de disciplina. A vara deve ser aplicada quando o filho se excede nos atos de desobediência. Além disso deve se conversar antes da aplicação para que ele saiba o porque esta sendo disciplinado e oração e aconchego depois. Eu faço isso e funciona sempre, apesar de ser desagradável ter que aplicar a disciplina.

O senhor está  casado há quantos anos e tem quantos filhos? Sua esposa é presente no ministério. Como se sente e o que diz a respeito?

      No mês de janeiro de 2010 completaremos 10 anos de casados. Temos 3 filhos, presentes de Deus em nossa vida: Deborah, Juan Marcos e Raquel.

      Minha esposa é bem presente no meu ministério. Apesar de pedagoga e musicista, regente do coral da igreja e professora de piano, o suporte maior que ele me dar é no cuidado com a casa e com os nossos filhos, por livre escolha dela e meu pleno apoio.

      Em meio a dificuldades e desafios relatados acima, além de agradecer muito ao meu Deus que me permitiu vivenciar tudo isso para que eu crescesse, aprendesse muito e confiasse nEle, louvo muito ao Senhor pela vida de minha querida esposa que sempre esteve ao meu lado, dando-me seu apoio incondicional. Amo muito esta jóia preciosa, presentaço de Deus em minha vida. 

O senhor está  no ministério pastoral há 10 anos. O que mais lhe alegra e mais lhe entristece?

      Mais me alegra servir ao Reino de Deus no pastorado. Gosto muito de pregar a palavra, aconselhar e ver como a Palavra muda radicalmente pensamentos, corações e atitudes. Me alegro muito em ser instrumento usado por Deus. O que mais me entristece presenciar os corações endurecidos e insensíveis à Palavra. Mais do que tristeza, sinto pena por estas vidas, porque ouvem a Palavra a não a colocam por obra... Maior condenação haverá para estes...

O senhor acredita que todo pastor é também um pai ou exerce o papel de pai?

      Eu acredito que o pastor que ama sua igreja tem tudo, ou quase tudo, desta figura paterna. Uma vez estava eu muito triste com a igreja por sentir que ela não reagia à pregação, estudos, etc. Um pastor amigo que me visitava nesta época, sentido minha desânimo, perguntou o que havia. Depois de abrir meu coração e declarar minha decepção com a falta de ânimo com a igreja ele me disse: “João, quantas vezes você como pai precisa falar para a Deborah obedecer e fazer o que é certo?” Muitas – disse eu. “O mesmo acontece com a igreja! Insista”, disse ele. De fato, precisamos como pais insistir, perseverar, amar muito, falar duramente, PAIstorear... tudo isso porque queremos o bem da igreja e porque ela (como os filhos), não é nossa, mas é herança do Senhor.

O que considera como sendo mais desafiador e difícil: ser pai ou ser pastor?

      Creio que uma coisa contribui para a outra. Quando exerço a paternidade em casa, percebo muitas coisas que devo aplicar na igreja e quando exerço o ministério na igreja consigo ver muitas coisas que podem ser aplicadas aos meus filhos. Além disso, quando pregamos e ensinamos a Palavra sobre o assunto paternidade, me sinto desafiado por Deus a colocar em prática aquilo que estou ensinando. Contudo, ainda assim, creio que o mais desafiador e difícil é ser pai, pois o filho que convive mais tempo conosco herda pela prática e hábito o que somos e o que fazemos, quer seja bom, quer seja mau e isso muitas vezes perdura por muitas gerações. 
 

Como pai, qual é sua maior conquista e seu maior sonho?

      Minha maior conquista é o coração de meus filhos. De nada adiantará  ser pregador de multidões (coisa que não pretendo nem busco) se não tenho acesso ao coração dos meus filhos. Como pai, meu maior sonho (luto e oro para isso) é que meus filhos amem muito mais a Cristo do que a nós, do que aos seus futuros cônjuges e filhos ou do que a qualquer outra coisa. 

Na sua opinião, qual é o maior desafio em se educar filhos no Evangelho e como isso é possível?

      O maior desafio é tornar a Palavra de Deus relevante para o contexto em que eles vivem. Mostrar que a Bíblia ainda funciona e sempre funcionará, independente de época, cultura ou contextos. Mostrar que a natureza pecaminosa que existe neles é o maior inimigo para a busca da santidade. O ensino mais eficaz é praticar a Palavra, procurar viver o evangelho puro e simples.

 

Uma vez que o pai é uma referência de Deus para os filhos, como ele deve agir e como incutir uma boa imagem de Deus na vida deles?

      O amor dos filhos a Deus só se tornará  evidente e completo quando vivenciarmos este amor na prática... Temos que dar exemplo. O amor tem que deixar de ser substantivo e se tornar verbo. É o que diz a palavra em 1ª Jo 3:18: “Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade”.

O que acredita como sendo o motivo do sucesso ou do fracasso de tantas famílias em educar os filhos no Evangelho?

Motivo do sucesso: Aplicar a palavra no dia a dia, rendendo-se ao Espírito. O motivo do fracasso é o contrário. 

O que acredita ser o motivo do sucesso ou do fracasso no casamento?

      A mesma resposta da pergunta anterior.

O que diria a alguém que está se casando agora e se iniciando no ministério pastoral?

      Preocupe-se em agradar a Deus em tudo o que fizer. Que as prioridades de Deus sejam as suas prioridades. Aceite e se jogue de cabeça, sem reservas, nos empreendimentos do Senhor. “Confia no SENHOR de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento (Pv 3:5).

Na sua opinião o que é ser pastor-pai e como se sente sendo um?

      Benção pura! Sinto-me privilegiado. As vezes, quando olho para os meus filhos, quase que não acredito que sou pai e que eles são meus filhos. Sinto uma responsabilidade enorme sobre meus ombros e me ponho a clamar ao Senhor muita sabedoria para ser um pai segundo o coração de Deus.

Uma palavra especial aos nossos leitores,internautas, mais particularmente para os pais, cristãos e não cristãos

      Queridos internautas: que a graça do bom Deus seja sobre sua vida hoje e sempre. Deixo para vocês o seguinte verso: “São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!” (Mt 6.22-23).

      Aos pais deixo aqui minha palavra de perseverança. Aquilo que vocês são hoje será um retrato melhorado (ou piorado) daquilo que seus filhos serão no futuro. Lembrem-se sempre que os filhos não são nossos e sim do Senhor (Sl 127.3). Deus vai cobrar de cada um de nós tudo o que fizemos ou deixamos de fazer com e para os nossos filhos. Parabéns pelos dias dos Pais! Deus abençoe a vida de cada um!

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