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A irresponsabilidade dos responsáveis

De repente vejo os ídolos mirins das nossas crianças namorando aos doze* anos de idade com autorização dos pais, aplausos do público e holofotes da mídia. E o que acontece? “Ah, mas a Larissa Manoela que tanto admiro teve seu primeiro namorado aos doze, eu também quero!” Então, na fase em que deveriam estar fantasiando o brincar de casinha, escolinha e aventuras em mundos imaginários, nossas crianças estão fantasiando o primeiro beijo, o flerte, o namoro… Me chamem de chata, careta, antiquada, o que for. Não acho isso saudável, não acho isso normal e nem tampouco aceitável. Aliás, até pode sim ser normal e aceitável, mas para aqueles que anseiam por uma sociedade decadente e desequilibrada. Se um adolescente no auge dos seus quinze anos ainda não tem maturidade alguma para tomar decisões, que dirá uma criança de doze/ treze anos? Os pais que permitem esse tipo de comportamento são irresponsáveis, mais irresponsáveis que suas próprias filhas. E vou lhes dizer o porquê:
 
A área do cérebro responsável pelo controle dos impulsos e tomada de decisões conscientes, ou seja, que se mede riscos e consequências, amadurece bem depois dessa idade. Uma explosão de brotamento neuronal acontece logo antes da puberdade. O pico ocorre aos onze anos para as meninas e aos doze nos meninos, e as experiências que viverem nessa fase moldarão a sua massa cinzenta. No calor dessas “explosões”, suas decisões são excessivamente influenciadas pela emoção, tendo em vista que nessa fase seus cérebros confiam mais no sistema límbico (o banco emocional do cérebro) do que o córtex pré-frontal, mais racional, ou seja, os freios são acionados um pouco mais tarde do que o acelerador do cérebro, e essas alterações podem tornar os pré-adolescentes e adolescentes totalmente vulneráveis: drogas, más companhias, bebidas alcoólicas, sexo descompromissado, aborto, gravidez precoce, DST’s e etc. [¹]
 
Então, o que um cuidador, que já tem o córtex pré-frontal amadurecido, pode fazer sendo o grande responsável pela formação daquele outro ser humano que ainda toma decisões baseadas em seus impulsos e emoções? Conversar (muito!), deixar o canal de comunicação aberto, explicar à ele sobre todo esse processo descrito acima e dizer: “Como amo demais a sua vida, vou precisar por um tempo te ajudar na tomada de decisões. Logo poderá fazer isso sozinho, mas enquanto ainda não tiver maturidade pra isso, vou estar aqui pra te ajudar. Deus me deu essa missão e vou cumpri-la com excelência, pois te amo mais do que a minha própria vida!”. É muito difícil que um adolescente que se sinta amado, seguro, tenha um lar estável, receba estímulo ao esporte/cultura, tenha um canal de comunicação aberto com os pais e saiba de todos os riscos colocados acima, queira seguir em frente com um namoro precoce. 
 
Não acho que novelinhas, programas, músicas e filmes que incentivam, mesmo que de forma discreta, a adultização precoce seja benéfico para uma sociedade decadente como a nossa. Não mesmo! E sim, esses programas influenciam nossas crianças e pré-adolescentes. Fato fácil de ser comprovado apenas observando perfis de pré-adolescentes nas redes. Sem a mediação e filtro de um adulto responsável, tudo o que assistem e escutam os fazem acreditar que aquilo é normal, bonito e aceitável. Então reproduzem.
 
A Larissa Manoel, garota da foto, teve seu primeiro namorado aos doze anos de idade (esse da foto já é o segundo ou terceiro). Pensa comigo: você acha que um garoto com os hormônios a flor da pele vai querer o que? Só passear de mãos dadas no shopping e tomar casquinha do Mc Donalds? Precisa ser muito inocente pra não saber que muitas vezes rola o “rala e rola”. Um rala e rola entre dois seres que não tem maturidade alguma pra assumir os riscos de uma gestação ou DST. Ah! Com você não rolou? Deu tudo certo? Ótimo, mas concorda que isso não deveria jamais se transformar em modelo a ser seguido? A minha questão aqui não é o fato da garota estar namorando. A vida é dela e dos pais, eles responderão por suas escolhas. O que realmente me preocupa são os holofotes, os aplausos da mídia em cima de um exemplo de adultização precoce. E pior, com o apoio de seus responsáveis. É como pegar um megafone e gritar a sociedade que namoro aos 12 anos e o terceiro namorado aos 15 é o caminho a ser seguido… Larissa Manoela tem uma multidão de meninas que a idolatram. Ela é referência, exemplo de vida pra muitas (muitas!) crianças. Quem acha isso legal não deve se importar muito com o caminho que trilha a humanidade. Esquecem-se que um TODO é formado por indivíduos e suas escolhas.
 
Entendo que há um tempo certo para todas as coisas e que namoro é algo muito sério. Decisão para gente madura, crescida, que já trabalha e paga as suas próprias contas. Pra gente que tem maturidade e dinheiro para bancar suas escolhas e assumir as consequências. É nisso que devemos colocar holofote. Enxergo o namoro como um período para conhecer o futuro cônjuge, sua família e se preparar para uma união definitiva, o casamento. Crendo dessa forma (e é isso que ensinamos aos nossos filhos) fica impossível conceber um namoro aos doze/treze anos de idade. 
 
Sofro por estar criando meus filhos nesse mundo de valores invertidos. Sofro porque remar na contramão as vezes cansa! Sofro por ver tantos pais achando mais fácil seguir o fluxo, afinal, dá muito trabalho mediar (que é bem diferente de proibir) o que os filhos assistem, leem, escutam, jogam… Difícil! Mas como as misericórdias do Senhor se renovam a cada manhã, vou dormir. Quem sabe amanhã acorde mais esperançosa e disposta a continuar remando. Peço a Deus forças e sabedoria.
 

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